07 fevereiro 2010
Faço menos planos e cultivo menos recordações.
Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço.
Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço
seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com
a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não
perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós.
Martha Medeiros
01 fevereiro 2010
“Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.”
Caio Fernando Abreu.
31 janeiro 2010
Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há… e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…
Mario Quintana
( sentimentos de hoje )
26 janeiro 2010
“… afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte.”
José Saramago.
24 janeiro 2010
“Sem pensar em mais nada, fecho os olhos para esquecer. Dorme, menino, repito no escuro, o sono também salva. Ou adia”.
Caio Fernando Abreu.
Pssss… Dorme Lica =/
23 janeiro 2010
“Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…”
Mario Quintana
23 janeiro 2010
“Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito.
Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos.
Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?”
Tati Bernardi.
22 janeiro 2010
Eu falo demais! (escrevo demais, penso demais…)
No segundo seguinte, aquele breve e conhecido pânico….
Custava deixar no ar? Ser misteriosa uma vez na vida????…Claro que custava.
Tava ali. Bem na minha frente, do jeito todo errado que eu imaginava.
- Ãããn….Oi, prazer Lica… =)
(eu passei a viajem inteira ensaiando, então não foi assim tão difícil)
Não que tivesse segundas intenções, mas eu queria agradar. E foi aí que eu me perdi.
Na minha boca agora mora o teu nome
é a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
nem descansar e adormecer….
Até quando? Não sei.
Dois mundos diferentes e uma relação tão profunda quanto um pires.
Mas tem aquele impulso maluco, sensação que o tempo não vai mais voltar, e que eu PRECISO-FAZER-ALGUMA-COISA! Como tira isso de dentro da cabeça?
Tá…escrevi demais. Eu sei. Finge que não leu tá?! =)))
19 janeiro 2010
“E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos.
Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou.
Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego.
Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence.” (…)
- Martha Medeiros.
17 janeiro 2010
“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão.
Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração.
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não toca.”
Clarice Lispector.